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Fala-se muito sobre o “advogado 4.0”. Mas você sabe o que realmente isso significa? Será que você é um?

13 de setembro de 2019

O termo “advogado 4.0” está ligado ao contexto da “Indústria 4.0” ou “Revolução Industrial 4.0”, caracterizada pelas tecnologias digitais inteligentes que focam inovação e velocidade.

As três Revoluções Industriais anteriores já haviam transformado significativa e disruptivamente a indústria. Na 1ª R.I., o uso da energia a vapor permitiu a otimização da produção. Na 2ª R.I., a energia elétrica trouxe a produção em massa e, na 3ª R.I., houve a revolução digital com o uso de tecnologia da informação, internet e dispositivos eletrônicos, automatizando a produção.

Mas a 4ª R.I. trouxe uma transformação ainda maior. Ela impacta, além da indústria e manufatura, o próprio modo de vida, de trabalho e de comunicação do homem e da sociedade. De acordo com o estudo do Fórum Econômico Mundial, estima-se que 65% das crianças do atual ensino primário estarão trabalhando no futuro em funções que ainda não existem. Nos países mais desenvolvidos, uma pesquisa da PwC indica que 1/3 dos postos de trabalho será ocupado por robôs até 2030. Estamos na era da inteligência artificial, inovação, automação, informação rápida, análise de dados por learning machine.

O setor jurídico não está alheio a essa realidade. Os modelos de negócios e os formatos das relações jurídicas estão mudando o tempo todo e numa velocidade incrível. Muitos deles sequer têm um nome no Direito. As chamadas lawtechs (ou legaltechs) estão cuidando de fazer com que certas tarefas e funções desempenhadas pelos advogados passem a ser automatizáveis, para assegurar maior escala e rentabilidade aos escritórios. Essa é a realidade 4.0, quer aceitemos, quer não.

Nesse contexto, o advogado 4.0 deve desenvolver outras habilidades, focando justamente naquelas que fogem do alcance da automação. E o novo perfil de clientes exige isso. Eles querem uma experiência diferenciada e inovadora (customer experience) ao consumir um produto ou serviço. Assim, o advogado 4.0. é um advogado customer-oriented, ou seja, orientado ao cliente.

A habilidade fundamental do advogado customer-oriented é a de se conectar com os clientes. Em lugar de focar em elaborar e revisar documentos jurídicos – o que será feito pela tecnologia – sobreviverão à nova era dos advogados com alta capacidade de relacionamento e conexão com os clientes. Saber comunicar-se com a linguagem e ferramentas tecnológicas, ser empático às novas realidades, entregar informações de forma rápida e oferecer uma experiência pessoal valiosa para os clientes. Esse é o desafio.

Um advogado 4.0 não é avesso à tecnologia. É aliado dela. Está aberto a utilizá-la a seu favor para que possa desenvolver outros papeis junto aos seus clientes que são absolutamente humanos e requerem inteligência emocional. Sendo customer-oriented, preocupa-se com a satisfação plena dos seus clientes que, na maioria das vezes, vai muito além de fazer um trabalho tecnicamente bom. Está na forma de tratar, de atender, de falar. É acessível, comunicativo e inovador. Identifica as tendências antes que elas aconteçam.

Ser advogado envolve realizar tarefas de naturezas diversas, que vão desde ler e analisar documentos, elaborar contratos, peças processuais, emitir conselhos jurídicos, atuar nos tribunais, dentre outras tarefas técnicas e administrativas. O que estudos vêm revelando é que ainda grande parte das tarefas realizadas pelos advogados exige atuação humana de difícil codificação. Mas também foi identificado que há uma parte razoável de funções meramente administrativas ou menos estruturadas que, se terceirizadas para as tecnologias, assegurariam maior produtividade, rentabilidade e escala à advocacia, otimizando a atividade.

Ao invés de nos preocuparmos com o fim da advocacia, devemos focar nossos esforços em como desenvolver uma nova advocacia. Reinventar-se sempre foi importante no mundo, em qualquer área ou setor. A capacidade adaptativa sempre foi uma exigência da natureza para sobrevivência. Não precisamos olhar para tudo isso como se fosse algo muito assustador ou apocalíptico. São mudanças que exigem de nós, advogados, mudanças. Precisamos ter mente aberta, aceitar os fatos e desenvolver novas habilidades. Simples assim.

Você é um advogado 4.0? Pense nisso. Quebre paradigmas.

Fala-se muito sobre o “advogado 4.0”. Mas você sabe o que realmente isso significa? Será que você é um?
Fonte:
Projud Sistema Jurídico

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